Duvidas?

Não é minha a autoria, mas é muito show de bola!
“Roubei” do falecido blog de um amigão… Aí vai:

Duvidas?

Um homem alto, claro, olhos verdes, alto (eu sei que já falei alto, mas ele era realmente ALTO!), atravessa a rua em sua direção. Olhando diretamente para você. Você tenta disfarçar, finge que não é contigo, até que ele cutuca seu peito, com uma cutucada que faz seu pulmão direito retumbar. Você, diante daquela esfinge, tem apenas um pensamento lógico: “seja educado, para nosso próprio bem!”.
- Pois não?, você diz, com uma candura inimaginável em uma pessoa como você.
- Por que você tava me encarando? Hein?
- Eu não estava… eu… jamais faria isso!
- Tá me chamando de feio?
- Não, ai meu Deus, nunca faria isso!
- Então você tá acostumado a achar homem bonito? Você é boiola?
A essa altura você já não tem mais idéia do que falar. Qualquer coisa poderá ser usada contra você ali mesmo, na calçada.
- Olha, eu não estava encarando o senhor, meu Deus!
- Você acha que eu sou seu Deus?
- Não, não quis dizer isso!
- Então tá dizendo que eu sou o Diabo? É isso???
Você pensa em sair correndo, mas o cara com aquele tamanho de pernas, te pegaria fácil. E aí seria grande o risco de você ter seu cérebro compartilhado com o cimento e com o asfalto. Então você pensa: o cara só faz perguntas… o segredo é perguntar em cima da pergunta dele. Risco por risco, pelo menos você tentou algo.
- E se fosse isso?, arrisca você.
- Você acha que escolheu certo ao fazer essa pergunta para mim?
- Porque? Não foi boa escolha?
- Depende. Você quer ver seu crânio aberto?
- A decisão é minha?
- Você queria que fosse?
- Quem não gostaria?
- Você tá a fim de morrer hoje?
- Por que? se eu saísse correndo, você me matava?
- Quer que eu lhe explique algo?
- Porque não?
- Sabia que durante toda minha vida eu só falei através de perguntas?
- Por isso que você pergunta tanto?
- Que outro motivo seria?
- Alguma promessa?
- Promessa? Quem você acha que faria uma promessa desse teor?
- Algum louco?
- Você acredita em maldições?
- Deveria?
- Por que não? Sabia que o motivo que me leva a falar somente com interrogações é uma maldição?
- E o que acontece se você não falar perguntando?
- Sabe que eu nunca tentei?
- Não gostaria de experimentar?
- Você acha que devo ter medo?
- Medo do que?
- Devo ou não devo tentar? Meu Deus, sim ou não?
- Sim é uma boa resposta?
O homem alto pára de falar, olha para mim e, com um rosto entre temeroso e sorridente, desafiador e cagão, manda:
- Eu quero descobrir o que acontece…
Ele não chegou a concluir a frase. A terra estremeceu, abriu uma fenda gigantesca e tragou aquele homem. E em seguida, fechou-se e não deixou vestígios daquela esfinge. Você, com uma cara pesarosa, começa a pensar pelo lado bom. Pelo menos seu cérebro está intacto. E pensa em seguir normalmente o seu dia. Mas antes de continuar seu caminho pela calçada, encontra um pequeno envelope, exatamente no local que a Terra deglutiu o homem. Você não resiste, apanha o envelope e abre. Horrorizado, constata a evidência: a maldição era contagiosa. O homem, ao conversar contigo, transmitiu a maldição.
“Ah, que bobagem”, pensa você, no mesmo instante que uma velha senhora passa ao seu lado e pergunta:
- Que horas são, meu senhor?
Você, prontamente, responde.
- Duas e quinze, minha senhora.
E a Terra te engole.

By Jairo Reis

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3 Comentários »

  1. Marcos disse,

    21 de Agosto de 2007 @ 22:47

    Pq eu li isso?
    O q estou fazendo aqui?
    Pq estou comentando?
    Quem é o Edu?
    Será que fui amaldiçoado?
    Pq vc tá fugindo de mim?

  2. deephorurge disse,

    9 de Dezembro de 2007 @ 04:19

    I’d prefer reading in my native language, because my knowledge of your languange is no so well. But it was interesting!

  3. deephorurge disse,

    17 de Dezembro de 2007 @ 22:10

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